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Os dois lados do concurso escada

Você sabe o que é um concurso-escada? Se não sabe, irei te explicar.

O próprio nome dá pistas sobre o significado da expressão. No mundo dos concursos é algo conhecido e, inclusive, almejado por candidatos. Escada é um meio que te leva para outro nível (andar/patamar).

Ela pode ser ascendente – como é o nosso caso – ou descendente. Um concurso-escada é aquele que permite uma mudança de patamar ou status. Por meio dele, você é alçado de concurseiro a servidor público (em sentido amplo).

Eles são compostos, normalmente, de provas de baixa ou média complexidade e remuneram entre dois e sete mil reais mensais. Agentes e coordenadores censitários do IBGE, assistentes administrativos de Universidades ou Institutos Federais, Técnicos do INSS, Analistas em Prefeituras, escriturários bancários, até Analistas em Tribunais de Justiça, entre muitos outros são exemplos de concursos-escada.

Claro que algumas pessoas podem encontrar nesses cargos o seu fim, não mais se dispondo a continuar ou voltar à longa e árdua jornada dos estudos para concurso. E está tudo bem! Mas muitos concurseiros enxergam nos concursos-escada um meio para alavancar sua vida profissional, financeira e pessoal rumo aos altos postos do serviço público.

Alguém que esteja se preparando para Analista Judiciário, por exemplo, pode aspirar ao cargo de Juiz. Na verdade, isso é comum. Muitos são os Juízes Estaduais ou Federais que ocuparam o cargo de Analista alguns meses ou anos antes. Foi um concurso-escada que auxiliou nessa ascensão. Imagine: dobrar os mais de dez mil reais mensais!

As trajetórias podem ser lineares como essa. Ou não. E é exatamente aí que mora o perigo. Por um lado, o concurso-escada pode ser um meio de ascender, por outro pode ser um freio que o faz parar.

E digo isso por experiência própria. Quando se é aprovado em um deles, o status de “apenas estudante” muda, o dinheiro começa a entrar, seus sonhos – que são mais simples no início – começam a se realizar.

Com a educação financeira em dia, você tem melhores condições de moradia, possibilidade de adquirir coisas as quais sempre quis, fazer viagens, ajudar quem sempre o ajudou, etc. A questão é que isso pode arrefecer aquele outro desejo – o de querer mais –, deixando cada vez mais distante o concurso-fim.

Para continuar os estudos após a aprovação é necessário ter motivos claros, ou seja, necessidades. As primárias, de acordo com a Teoria da Hierarquia das Necessidades, de Abraham Maslow, são satisfeitas com os concursos-escada.

Significa dizer que, depois de um tempo, restam as necessidades sociais, de estima e autorrealização, todas secundárias para a existência humana. Algumas pessoas são movidas a agir a partir delas, outras não.

E aqui fica o meu alerta para os que pensam em alçar voos maiores a partir desses. Algumas coisas podem auxiliar:

  1. Não pare na(s) primeira(s) aprovação(ões), apenas se reorganize e reduza o ritmo dos estudos
  2. Lembre-se dos motivos que o fizeram desejar seu concurso-fim
  3. Entenda que é mais difícil recomeçar do que continuar
  4. Só pare quando atingir o seu objetivo final

O concurso-escada é uma bênção. Não o deixe se transformar em uma prisão.

Bons estudos!

Por Douglas Schneider

 

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